quinta-feira, 11 de maio de 2017

UM PROCESSO MENTIROSO E INFAME DE UM INOCENTE VERDADEIRO

Hoje iremos falar da maior fraude processual que já teve registro na história da humanidade. Como o homem conseguiu se superar em maldade de uma forma tão extraordinária? Como tiveram a coragem de julgar e condenar um inocente da forma mais esdrúxula e vergonhosa como essa? Quais foram as falhas processuais desse covarde julgamento? Porque Jesus foi executado? A mando de quem? Dos romanos ou das autoridades judaicas? Por que Jesus passou por dois julgamentos? Foram formalmente legais? Jesus cometeu algum crime? A crucificação era a pena a ser imposta?
Percebam caríssimos, que muitas são as perguntas, as dúvidas, as considerações que deveriam ser feitas mediante a um absurdo tão grande. Mas, ainda bem que de tudo isso podemos ter um consolo, é que tudo deveria acontecer realmente – “Pois eu vos digo: é preciso que se cumpra em mim a palavra da Escritura: ‘Ele foi contado entre os transgressores’. O que foi dito a meu respeito está se consumando”(Lucas 22:37). Deus, na sua infinita sabedoria e sapiência, já havia determinado, muito antes da criação de tudo, que o seu filho amado passaria por todo o sofrimento e paixão que estava próximo a acontecer, pois Ele teria que pagar por todos os nossos castigos e morrer em nosso lugar, demonstrando muito amor.
Não temos aqui a pretensão de fazer um estudo jurídico no caso do Rei dos Judeus. Mas, sim uma reflexão de tudo que ocorreu, baseado em fatos bíblicos para melhor entendermos o quer realmente aconteceu. Muitos podem pensar que o nosso blog está um pouco atrasado, por estar tratando desse assunto tão fora de época, pois a semana Santa já passou. Mas, achamos que esse tema não tem uma data de validade ou um período para ser estudado e dissecado para um bom entendimento. Qualquer hora é hora.
Para os acontecimentos ocorridos na época em que Jesus viveu, ele foi considerado um revolucionário. Um homem que veio com ideias novas, conseguia juntar milhares de pessoas por onde andava, ensinando-lhes a boa nova, curando-os de diversas enfermidades, expulsando demônios de toda espécie, dando a todos um alento para tantos sofrimentos e desilusões etc. Isso, visto pelos fariseus, herodianos, saduceus e os doutores da lei era uma situação inaceitável, pois poderiam correr o risco de perder a hegemonia do poder religioso – já que o poder político estava nas mãos do império Romano – e da corrupção que na época deveria existir e muita. Por diversas vezes eles premeditaram pegar Jesus no contrapé, mas devida a astúcia e a divindade do Cristo eles sempre eram pegos de calças curtas. Portanto, só tinham uma maneira de conseguir o seu intento maligno – a morte do Senhor – e a forma que eles encontraram era através da traição de alguém de dentro do seu seleto grupo e criar acusações falsas para ludibriar a rigorosa estrutura jurídica dos judeus. “Então os fariseus saíram e começaram a conspirar sobre como poderiam matar Jesus” (Mateus 12:14).
Os principais erros jurídicos ocorridos no processo do Cristo foram os seguintes:
a) julgamento noturno, contrário às leis hebraica e romana, não dando ao processo publicidade - Os fariseus e príncipes das leis não queriam de forma alguma que a população soubesse de que Jesus estaria ali para ser julgado por crimes que ele nunca havia cometido. Eles sabiam que a multidão o adorava por tudo de bom que estava lhes fazendo em seu ministério. Daí o fato deles terem julgado a Jesus na penumbra da madrugada e as surdinas. “De manhã cedo, todos os chefes dos sacerdotes e líderes religiosos do povo tomaram a decisão de condenar Jesus à morte” (Mateus 27:1);
b) conflito de jurisdição: quatro juízes no mesmo processo - Era muita gente para julgar um único acusado, quatro juízes que sobrepunham as suas respectivas jurisdições legais: Caifás, Sinédrio pleno, Herodes e Pilatos.
c) falta de autoridade de Anás, só para interrogar Jesus fora do Sinédrio - A pessoa que havia sido destinada a interrogar o acusado (Anás) não tinha a autoridade devida já que o sumo sacerdote da época era Caifás – “Eles prenderam Jesus e o levaram, conduzindo-o à residência do sumo sacerdote” (Lucas 22:54);
d) Herodes, em Jerusalém, não tem jurisdição sobre Jesus. Só na Galiléia - O Rei Herodes só tinha jurisdição na Galiléia, mas Jesus estava sendo preso e julgado em Jerusalém, pelas leis judaicas e de acordo pelos crimes que estava sendo acusado, somente o sinédrio poderia julgá-lo: “Pilatos, ouvindo falar da Galiléia perguntou se aquele homem era galileu. E, sabendo que era da jurisdição de Herodes, remeteu-o a Herodes” (Lucas 23:6-7);
e) testemunhas falsas, aliciadas pelos juízes - E assim eles encontraram duas infelizes pessoas que iriam cometer perjúrio, um dos pecados listados por Moisés e que tanto faz o nosso Deus odiar, levantando falso testemunho ao próximo. “Os chefes dos sacerdotes e todo o Sinédrio estavam procurando um depoimento falso contra Jesus, para que pudessem condená-lo à morte. E nada encontraram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas. Por fim, vieram duas testemunhas, que afirmavam: ‘Este homem declarou: Posso destruir o Santuário de Deus e construí-lo de novo em três dias’. Então o sumo sacerdote levantou-se e perguntou a Jesus: “Nada tens a responder ao que estes testemunham contra ti?” Jesus, porém, continuava calado” (Mateus 26:59-63).
Jesus fora julgado em dois momentos: o primeiro de cunho religioso perante o Sinédrio e o segundo de responsabilidades políticas, diante de Pôncio Pilatos representando o império Romano. As acusações religiosas não fundamentadas eram: blasfêmia – Então o sumo sacerdote rasgou suas vestes e disse: “Blasfemou! Que necessidade temos ainda de testemunhas? Pois agora ouvistes a blasfêmia. Que vos parece?” Responderam: ”É réu de morte!” (Mateus 26:65-66); profanar o sábado – Então os judeus passaram a perseguir Jesus, porque ele estava fazendo essas coisas no sábado. Disse-lhes Jesus: "Meu Pai continua trabalhando até hoje, e eu também estou trabalhando" (João 5:16-17); e ser um falso profeta – palavras proféticas: “Jesus, porém, voltou-se para elas e disse: “Mulheres de Jerusalém, não choreis por mim! Chorai por vós e por vossos filhos!” (Lucas 23:28) profetizando a destruição de Jerusalém dali a alguns anos. As incriminações políticas consistiam em: insurreição, declarar-se rei e incitar o povo a não pagar impostos à César (era um crimen laesae majestati). Tudo isso mentiras inescrupulosas e sem fundamentos jurídicos.
Jesus havia sido preso sem culpa, acusado sem indícios, julgado sem testemunhas legais e condenado a uma pena errada ao crime que era acusado, por Ele ter afrontado os judeus, desafiado o governo do mais poderoso Império que o mundo já conheceu – Roma – e por espontânea vontade, cumpriu seu martírio: aceitou a morte e o seu destino resignadamente. As massas gostavam de Jesus, mas a ira dos líderes religiosos ia se intensificando a cada aparição e mobilização do seu povo, chegando ao ponto de acirrar mais ainda a inveja e o despeito de todos que compunham a elite judaica na época.
Podemos ver com a compreensão leiga do direito, amadíssimos, que muitas foram as falhas neste processo vergonhoso. Mas, se levarmos em conta de que haviam interesses divinos para que tudo convergisse para o final desejado – o sofrimento e a paixão do Cristo – “Assim se realizava o que Jesus tinha dito, indicando de que morte havia de morrer” (João 18:32). Podemos lamentavelmente concluir que nada poderia ser feito para impedir que um cordeiro inocente fosse levado ao holocausto por tantos.

Que a paz e a luz divina do Senhor Jesus possa acompanhar a todos e que as bênçãos do Espírito Santo de Deus possa nos dar a serena compreensão para os fatos dolorosos da paixão do Cristo por nós todos. Amém?

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